Os sindicatos, as federações e os movimentos de base enfrentam muitas vezes o mesmo problema estrutural no pior momento possível: quando é preciso levar uma decisão de grande importância às bases, importa poder fazê-lo com um sistema que garanta a máxima integridade, verificabilidade e privacidade. Uma consulta é tão sólida quanto a confiança das pessoas em que o resultado é real.
Foi exatamente esta a situação que vários sindicatos de docentes da Catalunha enfrentaram. Depois de meses de mobilizações e greves, a 29 de maio chegou-se a um pré-acordo sobre salários e quadros de pessoal com o Departamento de Educação da Catalunha (Departament d'Educació). Em vez de o assinarem ou rejeitarem em nome dos docentes, os sindicatos que tinham convocado as greves (USTEC-STEs, CGT e Intersindical) decidiram levar o pré-acordo diretamente a todo o corpo docente numa consulta vinculativa.
Realizaram-na com a Vocdoni, de 1 a 4 de junho de 2026.
Factos essenciais¶
- Organizações: USTEC-STEs, CGT e Intersindical (consulta conjunta)
- Pergunta: avalizar ou rejeitar o pré-acordo alcançado com o Departamento de Educação da Catalunha
- Eleitores convocados: 99.305 docentes das escolas públicas da Catalunha
- Participação: 60.686 votos emitidos. 61,11 %, cerca de dez pontos acima da consulta setorial realizada em março (Cadena SER)
- Período de votação: de 1 a 4 de junho de 2026
- Tempo de preparação: concebida e posta em marcha em 24 horas
- Método de votação: voto online remoto a partir de qualquer dispositivo, com software de código aberto e verificável ponta a ponta
- Resultados: disponíveis imediatamente após o encerramento da votação
O desafio: uma urna única, partilhada e neutral¶
Como a consulta não se limitava aos filiados dos sindicatos convocantes, mas estava aberta à totalidade dos docentes da Catalunha, várias organizações sindicais independentes, com sensibilidades e filiações diferentes, tiveram de acordar um mecanismo partilhado para gerir uma única urna. Isso exigia uma infraestrutura neutral, aceite por todas as partes, capaz de garantir a integridade do processo sem depender da confiança em nenhuma organização em concreto.
Isto torna os requisitos especialmente exigentes:
- Neutralidade da infraestrutura. Nenhum sindicato podia ser o fornecedor da infraestrutura.
- Verificabilidade como condição prévia. A veracidade de todo o processo e a integridade dos votos tinham de poder ser auditadas de forma aberta.
- Escala massiva numa janela muito curta. Perto de 100.000 eleitores potenciais em quatro dias, com picos de participação muito concentrados na abertura e no encerramento.
- Privacidade para cada eleitor.
Como explicou um dos cofundadores da Vocdoni ao NacióDigital: «Funcionamos com código aberto, sobre uma infraestrutura blockchain, pelo que qualquer pessoa pode ver como foi feito e fiscalizá-lo», enquanto «os dados de cada um permanecem privados».

Resultados da consulta aos docentes da Catalunha sobre o pré-acordo de 29 de maio
A solução: aberta por conceção, privada por defeito¶
A Vocdoni foi construída precisamente para este tipo de votações de grande importância, em que a confiança, a auditabilidade e a rapidez não são negociáveis.
Como se vota?¶
Uma das chaves da participação é que votar seja simples. O fluxo foi desenhado para ser claro e rápido a partir de qualquer dispositivo, sem necessidade de conhecimentos técnicos.
- Um URL próprio para a consulta. O eleitor entra num espaço dedicado (neste caso
consultaunitaria.vocdoni.vote) com toda a informação sobre o processo.
- Identificação por email. Identifica-se de forma única com o seu endereço de email.
- Autenticação de dois fatores (2FA). Recebe um código por email e introdu-lo para validar a sua identidade, para que apenas os eleitores elegíveis possam votar.
- Emissão do voto encriptado. Escolhe a sua opção e confirma-a antes de a submeter. O voto é emitido encriptado a partir do próprio dispositivo do eleitor.
- Comprovativo de voto. No final, recebe um comprovativo com o qual pode verificar por conta própria que o seu voto foi registado e incluído no escrutínio.
Qualquer pessoa pode auditar o processo, ninguém pode ver o seu voto¶
Durante toda a consulta, qualquer pessoa podia ver o censo total e quantas pessoas já tinham votado, com atualização contínua numa página de acompanhamento e numa página de análise detalhada, mas o conteúdo dos boletins permaneceu encriptado até ao encerramento. É esta a propriedade que permite a sindicatos diferentes partilharem uma única urna: a verificabilidade é acessível a todos ao mesmo tempo, aos seus membros e à sociedade em geral.
O cofundador resumiu-o assim, em declarações ao NacióDigital: «Passamos do modelo centralizado dos anos 2000, com a urna como uma "caixa negra" em que era preciso confiar cegamente na boa-fé do fornecedor, para um modelo totalmente verificável, de código aberto e com criptografia avançada. Qualquer pessoa pode comprovar que o processo está a ser conduzido corretamente.»
O que a tecnologia da Vocdoni traz a um processo como este¶
- Código aberto e auditável. Sem caixas negras: qualquer parte pode inspecionar como o sistema funciona. Transparência real, não apenas prometida.
- Verificabilidade ponta a ponta. Cada eleitor pode comprovar que o seu voto foi emitido e contado corretamente, e qualquer observador pode verificar o escrutínio, analisando o rasto de auditoria que blinda o processo contra dúvidas ou impugnações.
- Privacidade garantida. O voto é secreto e protegido: o resultado pode ser verificado sem nunca revelar quem votou em quê.
- Robustez operacional. Infraestrutura preparada para sustentar dezenas de milhares de votos simultâneos com integridade e disponibilidade.
Porque isto é importante para os sindicatos e outras organizações¶
O título desta semana será o resultado político. A parte mais duradoura, porém, é a legitimidade: uma consulta como esta recorda que a legitimidade não depende apenas do resultado, mas também de como se chegou até ele.
Para um sindicato, ou para qualquer outra organização, a democracia interna é a fonte da sua autoridade. Quando uma decisão é transcendente e controversa, o valor de consultar as bases não está apenas na resposta; está em que a opinião real das bases se torna conhecida, através de um processo que apoiantes e detratores podem verificar por igual. Sindicatos diferentes, sem nenhuma razão particular para confiarem uns nos outros, puderam colocar-se atrás do mesmo escrutínio. Dezenas de milhares de pessoas participaram em poucos dias. O veredicto, fosse qual fosse, é difícil de contestar em termos de procedimento.
O mesmo padrão aplica-se muito para lá do mundo sindical: eleições em ordens profissionais, consultas em cooperativas e empresas com uma base social ampla, processos internos em partidos e associações, ou assembleias de instituições e entidades públicas. Em todos eles o desafio é o mesmo: levar a decisão a todos, rapidamente e à escala, com um resultado que se possa defender.
É isto que a votação online segura e verificável oferece às organizações: uma forma de levar as decisões diretamente às pessoas que representam, rapidamente e à escala, reforçando a sua legitimidade através de uma relação mais próxima e direta com a sua base, sem abdicar da segurança, da privacidade ou da credibilidade do resultado.
Porque estes sindicatos puderam confiar na Vocdoni¶
A Catalunha tem sido pioneira na votação digital há duas décadas, e a abordagem da Vocdoni reflete esse legado: não construímos uma caixa negra em que é preciso confiar na nossa palavra, mas sim infraestrutura de código aberto, verificável ponta a ponta, que qualquer pessoa pode auditar.
Se o seu sindicato, federação ou organização precisa de levar uma decisão às suas bases, a votação online segura pode eliminar a fricção logística sem acrescentar complexidade técnica nem comprometer a confiança.
Contacte a Vocdoni para ver como implementá-la.
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