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EBSI encontra DAVINCI: como a UPC usou a infraestrutura blockchain europeia para uma votação estudantil privada

E se os estudantes pudessem votar em uma eleição vinculante usando apenas sua identificação universitária, com total privacidade e verificabilidade, e sem baixar nada? Foi exatamente isso que a UPC e o protocolo DAVINCI demonstraram. O estudo de caso completo está no ar.

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Lucas

· 5 min de leitura

EBSI encontra DAVINCI: como a UPC usou a infraestrutura blockchain europeia para uma votação estudantil privada

O que acontece quando uma universidade quer realizar uma votação em que apenas seus próprios estudantes podem participar, ninguém mais consegue ver quem votou em quê, e cada cédula pode ser verificada de forma independente, tudo isso usando nada além das credenciais que os estudantes já têm?

Uma prova de conceito na Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) se propôs a responder exatamente isso. Desenvolvido como parte do trabalho de pós-graduação de Xavier López Mañes, dentro do projeto DAVINCI, o estudo demonstra como sistemas institucionais de identidade podem se integrar à votação baseada em blockchain para entregar eleições privadas, seguras e verificáveis.

Fatos principais

  • Organização: Universitat Politècnica de Catalunya (UPC)
  • Projeto: protocolo DAVINCI
  • Abordagem: dois caminhos de integração distintos testados (identidade descentralizada EBSI + alternativa institucional)
  • Autenticação: credenciais universitárias padrão
  • Camada de votação: protocolo DAVINCI com o SDK da Vocdoni
  • Resultado: votação estudantil funcional com verificabilidade de ponta a ponta

O desafio: identidade encontra privacidade

Toda instituição que realiza eleições enfrenta uma tensão. Você precisa saber que cada eleitor é quem diz ser e que pertence ao grupo habilitado. Mas também precisa manter a cédula em sigilo. Esses dois requisitos puxam em direções opostas. Quanto mais você verifica a identidade, mais difícil fica proteger a privacidade.

A equipe da UPC construiu um sistema que resolve essa tensão mantendo a camada de identidade e a camada de votação separadas. A universidade cuida de quem você é. O protocolo de votação cuida do que você vota. Nenhum dos lados precisa confiar cegamente no outro, porque uma prova criptográfica conecta os dois sem revelar informações pessoais.

Dois caminhos para o mesmo objetivo

A prova de conceito testou duas abordagens de integração. Ambas compartilham a mesma arquitetura fundamental: os estudantes se identificam com as credenciais que usam no campus todos os dias, e o sistema de votação recebe apenas uma prova criptográfica de elegibilidade, não as credenciais em si.

Elas diferem, porém, em como a camada de identidade é implantada.


Fase um: integração com a EBSI

A primeira fase mirava a integração completa com a European Blockchain Services Infrastructure (EBSI), o framework de blockchain permissionada da Comissão Europeia para serviços digitais confiáveis. A EBSI permite que instituições como a UPC emitam credenciais verificáveis que os estudantes podem vincular a uma carteira pessoal, e depois validem que essas credenciais pertencem a um membro específico do grupo autorizado.

A experiência do estudante era assim:

  1. Autenticar: o estudante faz login com suas credenciais universitárias padrão por meio do Issuer da UPC na rede EBSI.
  2. Reivindicar as credenciais: o Issuer gera um código QR que permite ao estudante assinar suas credenciais na sua própria carteira.
  3. Provar a elegibilidade: quando a votação abre, o estudante usa a carteira para se autenticar junto ao Verifier da UPC. O Verifier confere que a carteira pertence a um estudante autorizado e produz uma prova de censo.
  4. Votar: o estudante envia seu voto pelo SDK do DAVINCI, com a prova de censo anexada.

A arquitetura garante duas coisas ao mesmo tempo: os estudantes se autenticam com as credenciais que usam todos os dias, e essas credenciais nunca saem do domínio institucional. O sistema prova a elegibilidade sem jamais ver os dados reais de identidade do usuário.

Componentes da solução

Por que isso importa: a EBSI foi projetada para interoperabilidade transfronteiriça. Uma credencial emitida pela UPC poderia, em princípio, ser usada para votar em eleições realizadas por outras instituições em toda a Europa. Essa é a visão de longo prazo.

O que impediu: o lado técnico funcionou. Todos os componentes foram implementados e validados. Mas os prazos de aprovação administrativa dos órgãos de governança por trás da EBSI tornaram impossível finalizar a integração dentro do cronograma do projeto. A tecnologia estava pronta. A governança, não.


Fase dois: a alternativa institucional

Quando o cronograma da EBSI não fechou a tempo, a equipe adaptou o escopo. E é aqui que a flexibilidade do protocolo DAVINCI se torna a verdadeira história.

O Issuer da EBSI foi substituído por um serviço gerenciado diretamente pela UPC. A universidade continua totalmente responsável por gerenciar as identidades dos estudantes e preservar a privacidade. O protocolo em si não precisou de mudanças de arquitetura, apenas de uma fonte de identidade diferente.

O fluxo adaptado:

  1. O estudante gera uma carteira efêmera por meio de uma aplicação web.
  2. Ao fazer login com suas credenciais universitárias, essa carteira é associada à sua identidade institucional.
  3. Quando a votação abre, a carteira se autentica junto ao Verifier da UPC, que gera a prova de censo.
  4. O estudante vota por meio do SDK do DAVINCI.

A diferença: da perspectiva do estudante, a experiência é quase idêntica. Da perspectiva institucional, a complexidade de implantação é menor: nenhuma dependência de governança externa de blockchain. A universidade controla toda a camada de identidade diretamente.

O que permanece igual: a votação continua privada, as cédulas continuam verificáveis e apenas estudantes habilitados podem participar.

Por que isso importa para instituições que realizam eleições

A prova de conceito demonstra um espectro prático. Em uma ponta, identidade totalmente descentralizada por meio de frameworks como a EBSI, com a interoperabilidade transfronteiriça como prêmio. Na outra, um modelo institucional mais simples, em que a organização gerencia sua própria camada de identidade. O mesmo protocolo atende os dois.

Isso importa para qualquer instituição que realiza eleições e gerencia seu próprio censo: universidades, conselhos profissionais, sindicatos, administrações públicas. Significa que você pode oferecer aos eleitores um caminho de participação usando credenciais que eles já têm, na rede blockchain que fizer sentido para o seu contexto (L1 pública, L2 ou permissionada), sem sacrificar a privacidade nem o controle institucional.

O protocolo DAVINCI e o SDK do DAVINCI foram projetados para ficar entre a identidade e a urna, mantendo as duas separadas por design.


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